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Carol Lorena Psicanalista Agendar

Artigo

Curar não é esquecer: o que é ressignificar a sua história

Ressignificar não é apagar o que doeu nem fingir que passou. Entenda por que algumas histórias se repetem e como a psicanálise ajuda a dar um novo lugar ao que aconteceu.

Muita gente chega à terapia com um desejo compreensível: esquecer. Esquecer uma perda, uma traição, uma infância difícil, palavras que machucaram. Mas a memória não funciona como um arquivo que se apaga. Na maior parte das vezes, o caminho não passa por esquecer, e sim por mudar a relação com o que aconteceu.

É disso que fala a frase que abre este site: curar não é esquecer. É parar de se machucar com a mesma história.

Quando a mesma história se repete

Às vezes, a dor não fica só no passado. Ela volta em forma de repetição: relacionamentos que terminam do mesmo jeito, conflitos parecidos no trabalho e na família, a mesma reação diante de situações diferentes, a sensação de estar sempre no mesmo lugar.

Freud observou que aquilo que não é lembrado e elaborado tende a voltar como repetição, quase sempre sem que a pessoa perceba. É o tema de um texto dele de 1914, Recordar, repetir e elaborar. A repetição não é falta de força de vontade: é um sinal de que algo da própria história ainda pede para ser compreendido.

O que é ressignificar (e o que não é)

Ressignificar é dar um novo sentido ao que foi vivido. O que aconteceu não muda, mas muda o lugar que isso ocupa dentro de você.

  • Não é fingir que não doeu. A dor foi real e merece ser reconhecida.
  • Não é apagar a memória. A lembrança continua, mas deixa de comandar as suas escolhas.
  • Não é obrigação de perdoar nem de reatar. Cada pessoa encontra o próprio caminho, no seu tempo.
  • É compreender. Entender o que aquela experiência deixou em você e como ela ainda aparece no presente.

Ressignificar não é dizer que não doeu. É não permitir que a dor continue definindo quem você é.

Como isso acontece na psicanálise

Na psicanálise, você fala livremente, do jeito que as coisas vêm, sem roteiro e sem julgamento. Ao colocar em palavras aquilo que pesa, começam a aparecer ligações que antes não estavam claras: entre o passado e o presente, entre o que você sente e o que você repete.

A escuta do analista ajuda a perceber esses fios. Não se trata de receber conselhos ou fórmulas prontas, mas de construir, com tempo, uma compreensão própria da sua história. Quando a história é compreendida, ela perde força para se repetir no automático.

Sinais de que vale olhar para isso

  • você vive sempre o mesmo tipo de situação, com pessoas diferentes;
  • uma lembrança antiga ainda provoca a mesma dor, como se fosse hoje;
  • você reage de um jeito que não reconhece e depois se arrepende;
  • você continua em lugares e relações que machucam, por medo do que vem depois.

Você não escolheu muitas das situações que viveu. Mas pode escolher, com cuidado e com apoio, o lugar que elas vão ocupar daqui para frente.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui um atendimento individual. Em situação de crise ou de risco, ligue 188 (CVV, 24 horas, ligação gratuita) ou 192 (SAMU).

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